Joana, sempre Joana!

Desde que comecei a acompanhar essa temporada de A Fazenda (um tanto quanto tardiamente: pouco depois da expulsão de Duda), sempre prestei atenção em Joana.

O que me interessava nela era o potencial de barraco. Como qualquer pessoa que não tenha tirado longas férias em outro país (ou planeta), eu sabia de seu relacionamento explosivo com Adriano. Imaginava uma mulher descontrolada, insegura, dependente e sem classe. Mas me surpreendi a cada episódio.

Joana foi se mostrando, dia após dia,  um mulherão em todos os sentidos.  Forte, determinada, destemida. Meu  novo sonho foi se tornando “ser um  pouco mais como ela quando eu  crescer”. E eu nem tô falando do físico!

E acho que isso é o que mais impressiona nessa mulher. Joana É linda. Mas não é isso o que mais chama atenção nela. Joana fortaleceu-se como uma “gostosa” a quem a personalidade precede. Quando você a vê, vê honra, coerência, coragem antes de peitos e bunda. Quão incrível é isso num mundo que tanto objetifica a mulher?

Mas pra história ficar completa, pra toda heroína (de “mocinha” Joana não tem nada) sempre há de ter o vilão. E esse vilão se apresentou na figura de Guilherme Pádua, paraquedista, agressor de mulher e um merrrrrrrrrda.

Guilherme não foi só um jogador frio ou um representante caricato da maldade na casa. Guilherme é o que eu vejo em muitos jovens por aí: atitude moderninha, corpo cheio de tatuagens, cabelo colorido… e ideias herdadas dos bisavós. Machista – senão misógino, homofóbico, falso e, acima de tudo (se bem que sempre complementar) covarde.

Gui não teve a menor vergonha de chamar (nas costas, é claro) Joana de vagabunda, maria-chuteira, bêbada, prostituta de luxo, e, repetido quase como um mantra, barraqueira. “Não gosto de mulher barraqueira”, disse. “Gosto de mulher educada”. Como se ele fosse exemplo de conduta e como se todas as mulheres vivessem para satisfazer seu padrão.

Agora… o que é uma mulher barraqueira? No caso de Joana, desde a época em que era noiva do Imperador, é bater de frente. Com homens.

Joana gritou para que Dinei não gritasse com ela. Exigiu respeito de uma patotinha masculina a Raquel, que estava passando mal. Meteu o dedo na cara de Gui e despejou alguns palavrões. Pegou seu chapéu e jogou longe. Ordenou que ele medisse suas palavras com ela. Joana não tem o menor medo de ‘macho’. Pra quem brigava com Adriano, isso não é pouca coisa.

E não é só isso. Joana é inteligentíssima e tinha a visão de jogo mais completa que eu já vi. Consolou quem precisava. Praticou o perdão que outros só souberam pregar. Foi justa e trabalhadora. Lutou por tudo que acredita.

Eu tinha certo receio, porém, do discurso de Gui pegar. Se tem algo que Guilherme não é, é burro. Ele equilibrava brincadeiras forçadas aqui, com se referir a todas as mulheres da casa como “vacas” ali. Tinha medo de ele ser o novo Dourado.

Mas, depois de tanto depositar merda em nossos ouvidos, Gui Pádua foi eliminado do programa com 72% dos votos (que eu, pessoalmente, achei pouco). Restava saber se o esteriótipo que ele havia criado para Joana se sustentaria.

Por um lado era óbvio, pelo menos pra mim, que Joana seria finalista. E, uma vez formada a final, que ficou entre ela, Monique e Raquel, tive certeza de que pelo menos o segundo lugar seria dela. Por outro, não conseguia acreditar muito na vitória.

O Brasil criou uma cultura de “caridade” para os reality shows. Muitas vezes, não ganha quem merece, mas quem “precisa” ou terá mais dificuldades de ganhar esse dinheiro “lá fora”. Quem não se lembra do caso de Priscila, do BBB 9? Pri foi impecável do começo ao fim da edição, mas perdeu para Max porque se encaixava na tal categoria “gostosa”. Poderia posar nua, né.*

Junte-se isso ao fato de que Monique também teve uma atuação incrível, também se colocou no jogo, também bateu de frente com quem mereceu… E tive certeza de que o Brasil premiaria Monique Evans. Eu mesma já estava me acostumando e vendo o lado bom da ideia.

Ah! Mas precisava ser do jeito que foi! O Brasil PRECISAVA coroar Joana e fazer do prêmio realmente uma recompensa pela trajetória no programa. E a trajetória de Joana foi histórica (e extremamente simbólica). Joana foi única em qualquer categoria.

Muito se falou sobre a vitória de Maria no BBB deste ano. O Brasil estaria mais cabeça aberta, as mulheres teriam  se solidarizado com o sofrimento amoroso da ‘sister’. Acontece que o que as mulheres brasileiras precisam é se espelhar em Joana! Precisam de mais mulheres que vençam pela força, coragem e independência, e não por sofrerem na mão de um homem.

A vitória de Joana, sim, representa a vitória do bem sobre o mal. Restaurou minha fé na humanidade. E me dá mais orgulho da mulher brasileira.

Viva Joana! E que sirva de exemplo, e que venham muitas mais dela no futuro, dentro ou fora de reality.

PS: Assista o Ex-tricô com Joana. Tudo isso vem de berço. Vejam o quanto, em 5 segundos, a fofura do pai da Joana consegue demonstrar a educação que ela teve em casa no recado para Lele e Clara. “Vamos lutar e levar pra frente essa coisa da mulher brasileira, a força da mulher brasileira.” A FORÇA. É isso que nós temos de melhor.

* Há quem diga que isso também se deve ao fato de que a enorme maioria dos que votam em reality shows são mulheres. Não acredito nessa lenda da inveja/competição feminina.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s